domingo, 30 de novembro de 2008

Reflexos


terça-feira, 25 de novembro de 2008



"É através da imagem do outro que cheguei a me conhecer e cheguei a entender o amor que nutro pela vida; a angústia de poder penetrar e captar o ser no seu íntimo; uma imagem que acaba de se refletir em mim".

Claudia Andujar

domingo, 23 de novembro de 2008

Max Sauco

Imagens manipuladas.






http://www.sauco.ru/
David LaChapelle





Análise temática

A temática de LaChapelle, além de única, é de tal forma peculiar que é facil reconhecer o seu trabalho em qualquer parte. No seu trabalho, o absurdo e o exagero de cores, formas, pessoas e situações é constante. LaChapelle cria um mundo estático onde tudo tem brilho e tudo o que compõe a imagem está a posar para e a servir a foto, desde os próprios modelos até um acessório aparentemente sem importância como uma cadeira ou a sebe de um jardim. Tudo, até ao mais ínfimo pormenor é pensado num enquadramento de David LaChapelle.

Praticamente todas as fotografias de Lachapelle contam como que uma história, visto que falam através de personagens que se encontram em situações muito peculiares. Todas essas personagens, têm algo de não-humano, como se fosse ascendência à perfeição através dos seus corpos incrivelmente brilhantes, poses e figuras perfeitamente esculpíveis, à semelhança das representações olímpicas da antiga grécia.

As imagens de LaChapelle estão carregadas de humor, ironia e surrealismo. Uma pessoa nua no meio de um campo verde, um glamoroso transplante facial, ou um catiçal de diamantes numa sala toda pintada de uma só cor berrante, são lugares-comuns no trabalho do norte-americano.

LaChapelle tem o invulgar hábito de colocar pessoas deslocadas no tempo e espaço, em situações opostas às do mundo real, ou no mínimo opostas às que nos habituamos a ver.

O sexo é também uma constante no trabalho de LaChapelle. LaChapelle implicita constantemente o sexo nas suas imagens, sem no entanto nunca o mostrar. Mesmo a nudez, sendo amiúde explícita, tem sempre um sentido estético extremamente apurado e uma razão de ser muito forte.

A temática de LaChapelle resume-se pois, a mostrar imagens inéditas ao nosso cérebro, imagens que, ainda que chegando a nós com referências de imagens anteriores, trazem uma frescura transportada pela habilidade de David LaChapelle de tornar a imperfeição de pessoas e objectos, perfeita.


Análise da composição da imagem

LaChapelle, é com toda a certeza um dos fotógrafos contemporâneos que mais trabalho dedica à fase da composição. Raramente as suas fotos são espontâneas, e quase sempre têm um elaborado trabalho de composição de cor e equilibrio dos vários elementos por detrás.

Por norma, as imagens de David LaChapelle, são extremamente preenchidas, e recheadas de todo o tipo de acessórios e adereços que sirvam a personagem que ele fotografa. Esses adereços nunca são deixados ao acaso, constituindo, por outro lado, um elemento fulcral para a narrativa da imagem.

As personagens das suas obras nunca se encontram muito longe da objectiva, estão sempre apenas longe suficiente para que todo o seu corpo possa comunicar com a imagem. LaChapelle, tem por isso uma predilecção por planos americanos e por planos gerais. Outra característica comum, é o uso regular da profundidade de campo, especialmente nas fotografias de exterior.

Nunca as personagens que integram as suas fotos se encontram numa pose amorfa, neutra, vertical. Ainda que estáticas, estas regularmente encontram-se abaixadas, dobradas, deitadas e muitas vezes com poses que se aseemelham às de um animal quadrúpede.

A confusão inicial transmitida pelas imagens do fotógrafo americano, é após algum tempo substituida pela curiosidade de decifrar todos os elementos que compõe a sua escrita visual. LaChapelle é mestre em ordenar e limpar o caos que invade o seu trabalho.

Análise Cromática

A cor é talvez o elemento mais essencial e mais marcante da fotografia de David LaChapelle. Tendo sido extremamente raras as vezes em que recorreu à imagem dessaturada, a complexa composição de LaChapelle é paralela à complexa composição cromática que marca a sua obra.

Através de uma série de artifícios, o fotógrafo transmite às suas imagens uma cor e uma luz inexistentes no mundo real. As suas imagens, puras fantasias da perfeição, são povoadas por relva absurdamente verde, corpos que estrapulam cor e luz, vestidos rosa-choque e paredes interiors de todas as cores fortes possíveis.

As suas imagens são ricas na saturação, intensas na luminosidade e constantes no contraste. A pele das suas personagens serve de mote para contrapor com a cor das paredes e objectos que a rodeiam. Não é so Jesus Cristo que nas suas representações emana luz, essa característica é uma constante de todas as personagens que alegremente centram as suas imagens. As cores quentes que caracterizam o seu trabalho, transmitem uma sensação de conforto a quem as vê, e uma vonta de participar daquele mundo impossível.


sábado, 22 de novembro de 2008

Denis Grzetic




quinta-feira, 20 de novembro de 2008


THE ROLLING STONES

domingo, 16 de novembro de 2008

CARTA A LOS ESTUDIANTES DE FOTOGRAFIA, escrito en 1923.

"Todos somos estudiantes, algunos lo son por mas tiempo que otros mas experimentados. Cuando dejéis de ser estudiantes, puede que dejéis de estar vivos en lo que concierne al sentido de vuestro trabajo. Por lo tanto hablo desde estudiante a estudiante. Quiero deciros, pues, que antes de dedicar tiempo a la fotografía (que por otro lado os tomara mucho) pensad hasta que punto es importante para cada uno de vosotros.

Si lo que realmente perseguís es pintad u otra cosa, entonces no fotografiéis, salvo que se trate de pura diversión. La fotografía no es un atajo para llegar a la pintura, para llegar a ser artista o para cualquier otra cosa. Por otro lado si la cámara y sus materiales os fascina y motiva vuestra energía y vuestro respeto, aprended a fotografiar. Descubrid primero que puede hacer esta cámara y estos materiales sin ninguna interferencia, únicamente con vuestra propia visión. Fotografiad un árbol, una maquina, una mesa, cualquier trasto viejo; hacedlo una y otra vez modificando la luz. Observad lo que registra vuestra película, descubrid los resultados que se obtienen con los distintos tipos de papel y gradaciones. Las diferencias de color que pueden obtenerse utilizando uno u otro revelador y en que forma estas diferencias cambian la expresividad de la imagen. El campo es ilimitado, inagotable, sin salir de las fronteras naturales del medio. En resumen trabajad, experimentad y olvidaros del Arte, del pictorialismo y de otras palabras en mayor o menor grado carentes de sentido.

Ved libros de autor, exposiciones, por lo menos conoceréis lo que han hecho los fotógrafos. Y observad también críticamente lo que se este haciendo en general y lo que cada uno de vosotros realiza ahora. Algunos han dicho que Stieglitz tenia fuerza porque hipnotizaba a sus modelos. Id y mirad lo que ha hecho con sus nubes; descubrid si sus poderes hipnóticos se extendían también sobre los elementos. Observad todas estas cosas. Ved que significan para vosotros; asimilad lo que podáis y olvidaros del resto. Sobre todo mirad las cosas que os rodean, vuestro mundo inmediato. Si estáis vivos significara algo para vosotros, y si os interesáis lo suficiente por la fotografía y sabéis como usarla querréis fotografiar ese significado.

Si permitís que la visión de otra gente se interponga entre el mundo y vuestra propia visión conseguiréis algo ordinario y sin sentido: una fotografía pictorialista. Pero si conserváis esta visión clara, conseguiréis algo que por lo menos será una fotografía con vida propia, al igual que un árbol o una caja de cerillas, siempre que creáis que estas cosas tienen vida propia. Para conseguir esto no existen atajos, ni formulas, ni reglas; únicamente en todo caso las que rigen la vida de cada uno. Sin embargo, es necesaria la autocrítica mas rigurosa y el trabajo constante. Pero primero aprended a fotografiar. Para mí esto constituye ya un problema sin fin. "

Paul Strand

do blog: Um postal para um amigo

sábado, 15 de novembro de 2008

Relatórios!!!



"Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir
Cantar uma Sabiá..."

domingo, 9 de novembro de 2008



Picasso fotografado por Robert Capa






Possuidor de uma personalidade complexa e fascinante, Picasso apresentava no entanto períodos prolongados de mau humor, fosse por problemas familiares, fosse por insatisfação com o seu trabalho. Nessas alturas era insuportável - nada estava bem para ele! - o que poderá explicar os seus relacionamentos pouco duradouros, especialmente com as mulheres. Todavia, demonstrava uma atitude generosa e tolerante para com outros artistas ou para com pessoas criativas de uma maneira geral; respeitava o seu trabalho e procurava não se intrometer.

Assim sendo, quando alguém o queria fotografar, ele seguia obedientemente as indicações do fotógrafo como que impressionado pela parafernália de tripés, câmaras e projectores que o rodeavam. Numerosas imagens do pintor espanhol foram produzidas através deste método por fotógrafos famosos como Robert Capa, Cartier-Bresson, Yosuf Karsh, David Seymour, Robert Doisneau ou Man-Ray que, pese embora a sua grande qualidade, reflectiam mais a personalidade do fotógrafo do que do retratado. Esta não foi, porém, a abordagem de Edward Quinn.


Edward Quinn começou por ser músico. Durante a segunda guerra mundial tornou-se piloto da RAF e, quando a guerra acabou, continuou a pilotar para a aviação civil. Nos anos 50' foi viver para a Côte d'Azur, já na altura local de lazer de inúmeras celebridades internacionais. Pensou então que talvez fosse boa ideia tornar-se repórter fotográfico... Em 1951, durante uma das suas reportagens, conheceu Picasso. Nas primeiras fotografias que tirou Quinn ficou voluntariamente aquém de certo limite, deixando o pintor trabalhar livremente sem necessidade de poses artificiais.

Picasso sentia-se à vontade com o fotógrafo e concentrava-se exclusivamente no trabalho esquecendo que estava a ser retratado. E assim, ao longo de mais de 20 anos, Quinn entrou na sua esfera privada, captando o homem que estava para lá do artista - a sua casa, as suas mulheres, os seus filhos, os seus amigos, os seus animais de estimação. Foi dos poucos a ter o privilégio de o fazer, conseguindo reunir o mais espantoso conjunto de imagens que se conhece do pintor. Picasso, por seu lado, nunca lhe pediu para ver as fotografias; sabia que, apesar do interesse jornalístico nele como "objecto", havia um código de ética escrupulosamente observado. Por isso se tornaram amigos.

sábado, 8 de novembro de 2008

Futuros Amantes
Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você



Horst P. Horst

quarta-feira, 5 de novembro de 2008








René Maltête - 1930-2000 -



Emma Hack


http://blogachado.blogspot.com/

terça-feira, 4 de novembro de 2008


A LINGUAGEM DA FOTOGRAFIA


A linguagem da fotografia é a linguagem do ver. Do visto. O que, afinal, um fotógrafo expressa é o seu modo de ver o mundo. E podemos ver com mais ou menos inteligência, com mais ou menos sensibilidade, com mais ou menos originalidade, mais ou menos espontaneidade.
Ver é um ato intencional e criativo, exige vontade e motivação interior. Geralmente os fotógrafos são pessoas que se deleitam com o ver. Ver com profundidade significa compreender.
Alguém caminha por uma ampla calçada a beira mar, numa tarde serena. De repente, vê à sua frente um banco vazio, umas pedras emergindo da água e uma pequena árvore seca que, desde o ponto de vista em que se encontra, estão harmoniosamente dispostas no espaço. ( fotografia 1) Ele compreende que aquela imagem é ele mesmo naquele momento, é aquela tarde, é aquela experiência. Isto é a fotografia. A experiência pode adquirir graus cada vez maiores de complexidade, ou pode ser simples como um sorriso. E desta maneira variam as fotografias.
Então tudo o que temos a fazer é, basicamente, desenvolver a nossa observação, afirmar a nossa atenção. É graças a curiosidade, à observação minuciosa e uma certa engenhosidade no olhar que se chega à percepção de imagens significativas. Estar alerta é importante. Estar presente. Se estamos perdidos em pensamentos, a realidade (pelo menos a visível) se nos escapa dos olhos. E da câmera. A fotografia é enfim a testemunha da qualidade do nosso ver.
Não vemos, porém, apenas com os nossos olhos. Podemos fazê-lo com a totalidade do nosso ser. Ver é sempre dinâmico. Reconhece e descobre objetos. Cria relações e atribui significados. Projeta nossas fantasias, evoca nossos sentimentos e provoca reações. Reagimos: fotografamos.
A cada maneira de ver corresponde uma linguagem fotográfica, e a parte a limitação da necessidade do mundo se manifestar a nossa frente, suficientemente iluminado, para que o fotografemos, não há limites para a linguagem fotográfica. Sempre inventamos novas maneiras de ver.
A fotografia nasce da capacidade de maravilharmo-nos, de encontrar sentido, de deixarmo-nos tocar por aquilo que vemos. Como já afirmaram muitos fotógrafos não há nada a fazer, a não ser estar presente, estar aberto ao mundo sentir-se implicado com aquilo que se vê.
Fotografia é imagem. Mas não apenas. Ela é o tempo detido, é a memória. É a evidência da luz que incidiu sobre um objeto específico, num lugar específico, num momento específico. Se por um lado isto soa como uma limitação, por outro é o próprio mistério da fotografia. Aquilo que vemos numa foto aconteceu. Às vezes de uma maneira que não sabemos como ou porque a fotografia não explica. Mas aqueles objetos e pessoas que se gravaram sobre o filme e hoje são imagens, ontem existiram. É isso que estimula nossa imaginação.
Fotografia é a linguagem do inesperado, boas fotografias não acontecem toda hora. A fotografia é um encontro. Eis o seu sabor. Um encontro entre o fotógrafo e o momento. Uma cena e o seu reconhecimento. A fotografia trabalha com o acaso e se vale da intuição. Assim se realiza o encontro.
Tudo o que queremos ao tirar fotografias é compartilhar nossa visão do mundo e nossa sensibilidade à vida como os outros. É como dizer: olha só aquilo! E aí está todo o significado. Não há mais nada a explicar. Nada a acrescentar. O resto é por conta de quem observa a fotografia.
Num mundo tão inflacionado de imagens, a maioria delas arrogantes e fetichistas, quando não simplesmente sensacionalistas, por que não nos abrirmos àquelas fotografias sensíveis e reveladoras, cheias da autenticidade de quem se sente comprometido com a vida?

Do site Fotografia Contemporânea
Foto: Carlos Moreira - Paquetá, setembro de 1972

domingo, 2 de novembro de 2008



Sinto o cair das folhas
Como uma advertência íntima
O primeiro passo para um encontro
Um regresso ao coração.

Luís Falcão

http://www.gaspardejesus.blogspot.com/

sábado, 1 de novembro de 2008